segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Vinte e dois de Dezembro



É possível que o que esperamos da vida e de nós mesmos seja algo muito maior do que aquilo que possamos realisticamente obter. Talvez sejamos como sacos sem fundos impossíveis de serem preenchidos; e por esse motivo nada do que obtemos nesta vida nos parece satisfatório, ou é apenas satisfatório temporariamente.
Provavelmente seja esse vazio impossível de ser preenchido que tentemos preencher com comida, com prazeres inexplicáveis e inalcançáveis. Parece que somos dotados de uma insatisfação enlouquecida e fantástica que nos domina e afugenta qualquer sensação de prazer e preenchimento. Nos falta acalanto e reconhecimento daquilo que somos, das coisas e pessoas que nos rodeiam, e das nossas construções internas. 
 De alguma forma se eu contasse as pessoas sobre minha vida real, em forma de verso, prosa ou romance todos perceberiam que ela passou por períodos e transformações drásticas e até dramáticas, mas que por outro lado ela é feita de um conteúdo tão autêntico, tão cheio de vida e de personagens reais que eu não teria mais justificativas para me queixar ou me sentir tão vazia. 
A insatisfação que falo aqui é uma analogia da insatisfação gerada pela digestão dos alimentos: algo muito desejado, mordido e devorado loucamente, e depois evacuado, deixando uma sensação de vazio e novamente o desejo louco de preenchimento. Isso me faz pensar que somos assim: insaciáveis. E não só com relação aos alimentos, mas aos amores, as pessoas, os livros, os filmes...
Como se não pudéssemos preservar em nós algo de muito bom das coisas que vivenciamos, elas simplesmente passam por nós e não podem deixar um pouco de si. Como a morte, que para a maioria de nós destrói qualquer existência. Não restando nada, apenas um vazio....



Um comentário:

  1. Uau.. há tempos não vejo um blog assim. Texto maravilhoso... Obrigada pela visita em meu blog, parabéns pelo teu trabalho aqui. Satisfação!

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