segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Vinte e dois de Dezembro



É possível que o que esperamos da vida e de nós mesmos seja algo muito maior do que aquilo que possamos realisticamente obter. Talvez sejamos como sacos sem fundos impossíveis de serem preenchidos; e por esse motivo nada do que obtemos nesta vida nos parece satisfatório, ou é apenas satisfatório temporariamente.
Provavelmente seja esse vazio impossível de ser preenchido que tentemos preencher com comida, com prazeres inexplicáveis e inalcançáveis. Parece que somos dotados de uma insatisfação enlouquecida e fantástica que nos domina e afugenta qualquer sensação de prazer e preenchimento. Nos falta acalanto e reconhecimento daquilo que somos, das coisas e pessoas que nos rodeiam, e das nossas construções internas. 
 De alguma forma se eu contasse as pessoas sobre minha vida real, em forma de verso, prosa ou romance todos perceberiam que ela passou por períodos e transformações drásticas e até dramáticas, mas que por outro lado ela é feita de um conteúdo tão autêntico, tão cheio de vida e de personagens reais que eu não teria mais justificativas para me queixar ou me sentir tão vazia. 
A insatisfação que falo aqui é uma analogia da insatisfação gerada pela digestão dos alimentos: algo muito desejado, mordido e devorado loucamente, e depois evacuado, deixando uma sensação de vazio e novamente o desejo louco de preenchimento. Isso me faz pensar que somos assim: insaciáveis. E não só com relação aos alimentos, mas aos amores, as pessoas, os livros, os filmes...
Como se não pudéssemos preservar em nós algo de muito bom das coisas que vivenciamos, elas simplesmente passam por nós e não podem deixar um pouco de si. Como a morte, que para a maioria de nós destrói qualquer existência. Não restando nada, apenas um vazio....



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Começar de Novo!




Hoje decidi retomar minha dieta. Estou pesando 73 kg e nunca pesei tanto assim. Hoje posso verdadeiramente dizer que sou obesa. Isso tem me deixado anestesiada, tento não pensar profundamente no que está acontecendo com meu corpo, pois tenho medo de não aguentar a realidade disso que permiti acontecer.
Poderia arrumar muitas desculpas para justificar meu peso, mas prefiro não fazer isso. Prefiro encarar os fatos: tenho uma árdua tarefa a realizar comigo mesma daqui para frente.
Semana passada voltei a conversar sobre esse assunto com meu psicoterapeuta, e fiquei assustada quando percebi que isso pode ser uma doença de difícil controle. Não quero pensar assim, sempre tentei encontrar uma forma de me tornar uma pessoa magra e muito satisfeita com meu corpo, como se existisse uma fórmula. Mas cada vez mais me conscientizo de que está em minhas mãos, em minha forma de me alimentar e de viver. Meu corpo responde exatamente ao que faço a ele: Sedentarismo X alimentação excessiva.
Hoje estou escrevendo aqui e arrumando uma desculpa para não começar hoje mesmo uma caminhada. Fico me imaginando na academia aqui do prédio e quero fugir disso, embora eu saiba que não posso mais fugir. A verdade é que me inscrevi em uma academia, mas estou me sentindo tão mal, e com tanta variação de P.A. que não posso frequentar antes de fazer uma avaliação com o cardiologista.
A novidade é que parei de comer carne há + ou - 3 meses. Sinto-me melhor, com menos azia, menos inchada, menos nervosa, mas meu peso só aumentou. E agora há 15 dias estou tirando leite e derivados, ou seja, qualquer alimento de origem animal. Vamos ver se isso me ajuda em alguma coisa.
Bom, vou descer e caminhar na esteira por meia hora, quem sabe sejam os primeiros passos de uma grande caminha em direção a um corpo mais sereno, mais equilibrado e mais amado.
Até mais.